IMPRENSA E ALTERIDADES: NEGROS, INDÍGENAS E MULHERES NO BRASIL CONTEMPORÂNEO
Prazo de submissão: 30 de junho de 2026
Link para submissão: https://
Organizadores
Dra. Valéria dos Santos Guimarães (Unesp)
Dr. Fernanda Sposito (Unesp)
***
A história da imprensa no Brasil constitui um campo consolidado e particularmente fecundo, permitindo análises que articulam materialidade editorial, circulação de impressos e produção de discursos, bem como as relações entre agentes da escrita e seus públicos. Nesse quadro, os periódicos configuram-se como corpus privilegiado, simultaneamente fonte e objeto, oferecendo acesso aos impactos sociais da cultura midiática e à constituição de representações e imaginários.
O dossiê propõe uma inflexão deliberada no campo ao privilegiar a imprensa produzida por e/ou voltada a grupos historicamente marginalizados, como negros, mulheres e indígenas. Embora presentes em diferentes esferas do universo editorial, tais agentes permaneceram, em grande medida, à margem das narrativas historiográficas, seja pela dispersão e difícil acesso às fontes, seja pela persistente desvalorização desses impressos como objetos legítimos de investigação. Ao deslocar o foco para tais experiências, busca-se não apenas ampliar o repertório documental, mas também questionar hierarquias consolidadas que privilegiaram a chamada grande imprensa ou publicações consagradas.
Mais do que tratar tais periódicos como expressões isoladas de grupos específicos, interessa compreendê-los em sua inserção em circuitos sociais, políticos e culturais mais amplos, atentos às dinâmicas de mediação e apropriação. A recente expansão de acervos digitalizados e o avanço de abordagens relacionais, abrem novas possibilidades analíticas, permitindo reconhecer esses impressos como formas ativas de intervenção na esfera pública e na construção de identidades coletivas. Nesse quadro, destaca-se a originalidade da abordagem da imprensa indígena, ainda pouco explorada: seus exemplos são mais raros, visto que os povos indígenas não incorporaram de maneira sistemática, até algumas décadas atrás, a cultura letrada e a imprensa como instrumento próprio, o que torna sua investigação particularmente desafiadora e inovadora. Ao contrário, a produção sobre imprensa negra e feminina/feminista já constitui um campo mais bem conformado, com trabalhos de fôlego, mas ainda com amplo espaço para novas contribuições tendo em vista seu sistemático apagamento.
O dossiê convida à submissão de trabalhos que explorem a diversidade de suportes e enfoques, privilegiando abordagens inovadoras sobre temas como raça, gênero, etnicidade, trabalho, cidadania, práticas de leitura, cultura visual e trajetórias de agentes da imprensa. Ao enfatizar a centralidade dessas experiências, pretende-se contribuir para a renovação historiográfica do campo e para a reavaliação crítica do papel da imprensa na formação da cultura midiática no Brasil.
Submissões: https://submission.scielo.br/index.php/his/submissions